Danças folclóricas na escola

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O Brasil é um país rico em tradições e com diferentes culturas, que variam de região para região, e uma das formas de representação de uma cultura é através da dança folclórica, que são uma junção de várias danças sociais que surgiram através de antigos rituais religiosos.  

Como cada estado brasileiro tem suas próprias particularidades, existem vários tipos de danças folclóricas. Surgida como uma fusão de culturas como africana, europeia e indígena, entre as diversas funções, listamos a comemoração de datas religiosas, homenagens, saudações às forças espirituais e agradecimentos.

As danças folclóricas nas escolas possuem caráter interdisciplinar e consegue mostrar aos alunos a importância da criatividade e da cooperação, além de valorizar a cultura popular. Confira quais são as danças folclóricas e como podem contribuir para o aprendizado.

O que são as danças folclóricas?

As danças folclóricas são representações de uma determinada cultura, e costumam contar histórias de uma determinada região, elas não têm uma origem bem definida, e compõem parte da cultura da humanidade. É uma tradição passada ao longo do tempo, de geração para geração.

A tradição da dança folclórica consiste em representar algo através de danças recreativas. No Brasil, essas danças estão relacionadas a fatos históricos, lendas, brincadeiras, aspectos religiosos, e até mesmo acontecimentos do cotidiano. Suas músicas costumam ser animadas, com cenários e figurinos que simbolizam o que é dito, através de letras simples, porém populares.

Danças folclóricas na escola (3)
Fonte/Reprodução: original

Existem vários tipos de danças folclóricas e elas são classificadas de acordo com sua coreografia. Um exemplo são aquelas com apenas um dançarino, chamadas de solistas. 

Outro exemplo são as danças folclóricas de par enlaçado, onde uma dupla fica junta durante a dança e as de par solto, quando a dupla se separa em certos momentos da apresentação.

Quais os objetivos intuitos das danças folclóricas que contribuem no aprendizado escolar?

No ambiente escolar, a dança folclórica não assume apenas o papel de contribuir com as habilidades motoras dos alunos, elas podem contribuir com o papel educativo e pedagógico. A dança tem papel social, político e cultural, e pode ser trabalhada entre alunos diversos tipos de conteúdo.

Através de pesquisas bibliográficas, exibição de vídeos de danças, música, entrevista e palestras, linguagem oral e oficinas de dança, é possível estudar sobre as diversas regiões brasileiras, pois através da dança folclórica os alunos podem aprender mais sobre a cultura brasileira.

Danças folclóricas na escola (2)
Fonte/Reprodução: original

Ao usar a estratégia de pesquisa bibliográfica, os alunos sob orientação de professores podem pesquisar mais informações sobre as danças folclóricas em sites, enciclopédias, livros e periódicos sobre o assunto. 

Isso é importante para que os alunos possam aprender sobre a formação da cultura do país, através da influência das diferentes etnias que constituem. As atividades podem ser integradas às disciplinas de geografia e história, por exemplo. 

É possível também realizar atividades de interpretação de textos nas disciplinas de português e artes, onde os alunos recebem a tarefa de interpretar  e compreender  a mensagem de músicas populares do folclore brasileiro.

As oficinas de dança folclórica são importantes para que os alunos possam vivenciar na prática como funcionam essas coreografias e seus significados. A dança, além de um método para prevenção de doenças e promoção da saúde, irá possibilitar com que o aluno consigo associar na prática o folclore as características de cada região do Brasil

Quais os tipos de danças folclóricas mais praticadas nas escolas por todo o Brasil?

Trabalhar tradições culturais através da dança não é algo novo nas escolas. Através de movimentos corporais da junção de ritmo, a dança folclórica mais conhecida e trabalhada nas escolas é a festa junina, através da quadrilha. 

Essa festa, comemorada todo mês de junho, é uma homenagem aos santos São João e Santo Antônio, santos católicos. Apesar de ser a mais conhecida e mais utilizada, existem várias outras danças que são utilizadas  em algumas escolas, tais como forró, frevo e dança de fitas.

Veja abaixo quais são as danças folclóricas mais utilizadas nas escolas e algumas de suas características.

Carimbó

O carimbó teve sua origem com os agricultores do Pará, e é um ritmo bem conhecido entre os amazonenses. Seu principal instrumento é o curimbó, que se toca com as pernas. A dança é feita em pequenos passos, e seus participantes ficam no formato de uma roda, tal como na tradição da cultura indígena.

Além de influência da cultura indígena, o ritmo possui uma mistura de diversas etnias, como a flauta e o saxofone, herança de europeus, e o batuque acelerado, do povo africano.

Xaxado

O Xaxado tem origem nordestina, mais especificamente no Sertão de Pernambuco. Durante a dança, os dançarinos arrastam “percatas”, um tipo de calçado que fecha no pé com uma tira de couro ou algum outro tecido no chão, que faz um barulho de “xa-xa”.

Alguns estudiosos alegam que a origem da dança indígena, e outros alegam que poderia também ter origem portuguesa.

A dança era feita na região pelo Cangaço, como forma de celebrar as vitórias dos cangaceiros. Sua popularidade se deu por conta de Lampião, e é dançada em fila indiana, onde o chefe do grupo cantava os versos e o restante repetia.

Ciranda

A ciranda é uma brincadeira muito popular no Brasil, e teve origem na Paraíba e Pernambuco. A ciranda é uma brincadeira que envolve música e dança, e seus cantos podem ser improvisados ou entoados de letras já conhecidas. 

Os passos também podem ser coreografados ou improvisados, e normalmente se utilizam instrumentos de percussão. O compasso da dança é marcado com o pé esquerdo à frente, e não há limite de participantes.

Pau de fitas

Também conhecida como dança das fitas, a pau de fitas tem origem na Europa e é uma forma de manifestação cultural em reverência às árvores. A dança é feita ao redor de um mastro de cerca de 3 metros, com longas fitas coloridas amarradas em seu topo.

No sul do país, é chamada de Jardineira e sua vestimenta varia de região para região. No Rio Grande do Sul, por exemplo, os dançarinos usam trajes típicos Gaúchos e a dança é feita com 6,8 ou 12 pares de dançarinos.

Caxambu

De origem africana, caxambu ou jongo é uma dança com Essência Rural, praticada ao som de tambores. Seu gesto coreógrafo mais conhecido é a umbigada, onde o dançarino solista estica os braços e os ombros para trás e encosta ser umbigo na pessoa que irá substituí-lo na dança.

Possui símbolos ligados ao sagrado, e se acredita que está relacionado a fenômenos mágicos. Sua manifestação ainda ocorre em diversas cidades da região Sudeste do Brasil, como no sul do estado do Rio de Janeiro e nas fazendas de café em Minas Gerais.

Fandango

O estilo musical fandango tem como principal característica movimentos exibicionistas, e é considerado inebriante, uma dança onde seus participantes aparentam estar em êxtase.

Bem conhecida em Portugal, a dança pode ou não ser cantada, e pode ser dançada em pares ou em rodas. No Brasil, seus dançarinos são chamados de folgadeiras ou folgadores, pois é geralmente dançada nas folgas dos finais de semana, do sábado para o domingo.

Quadrilha

A quadrilha é uma dança de salão que teve origem na Inglaterra no século XIII, passou por adaptação na França e a partir do século XVIII, e se tornou popular entre a nobreza europeia. 

Sua dança possui formato retangular com quatro pares de dançarinos, que se misturavam durante o ritmo. No Brasil, foi durante o período regencial que se iniciou sua popularização, onde comandos eram gritados e repetidos.

É bem comum nas escolas, durante o período de festa junina, alunos se reunirem para treinar uma dança de quadrilha e apresentar a coreografia ensaiada para comunidade local.

Frevo

O frevo é uma dança brasileira originária de Pernambuco, baseada em vários gêneros como dobrado e marcha, tendo grande influência da capoeira. Inicialmente, era utilizada como arma de defesa, onde participantes de um bloco de carnaval faziam certos movimentos para defender seu grupo ou intimidar blocos rivais.

Possui mais de 120 passos catalogados, e é dividido em três tipos de frevo: de rua, de bloco e de canção. Em 2012, foi declarado pela Unesco como patrimônio cultural imaterial da humanidade.

Samba de roda

O samba de roda é considerado uma das festividades mais significativas e importantes da cultura brasileira, e seus primeiros registros são de 1860. Com grande influência africana, está relacionado ao culto aos Orixás e caboclos, e sua dança tem grandes ligações com a capoeira.

Suas canções são acompanhadas por instrumentos como pandeiro e viola, e os espectadores costumam participar batendo palmas.

Batuque

O batuque como dança ocorre em rituais em cenários chamados de “terreru”,  que podem ocorrer em uma praça pública ou um quintal, por exemplo. 

Durante uma sessão de batuque, existe um conjunto de intérpretes que falam e um couro que responde. Durante a dança, os participantes alteram o movimento das pernas e oscilam no corpo. 

Em suas origens, possuía significado social e era realizado apenas em “Dias Santos”, em ocasiões cerimoniais específicas. Atualmente, é utilizado como espetáculo de palco e como forma de representar o folclore de Cabo Verde.

Baião

Popular no nordeste, o baião se tornou popular na década de 40 através de artistas como Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga. Os principais instrumentos musicais são acordeão, o triângulo circula, a flauta doce e a viola caipira. Suas letras relatam as dificuldades da vida e o cotidiano dos sertanejos nordestinos, população mestiça descendente da mistura entre indígenas e população Branca. 

Uma das músicas mais conhecidas é Asa Branca, que fala do sofrimento dessa população por conta da seca nordestina. Foi considerado o gênero de dança mais popular do século XX e apesar de possuir letras tristes, possui músicas com ritmo alegre e contagiante.

Cateretê

Também chamada de catira, o cateretê é conhecido pela batida das mãos e dos pés de seus dançarinos. Possui origens africanas, europeias e indígenas, e é composta por pelo menos uma dupla de violeiros, responsáveis por tocar e cantar a música para seus componentes. Os dançarinos se movimentam em roda, e trocam de lugar à medida que batem os pés e as mãos.

Forró

Popular nas festas juninas, o forró tem origem em Pernambuco e é bem conhecido principalmente na região Nordeste do Brasil. Suas músicas costumam ser acompanhadas por um trio de instrumentos: o triângulo, a zabumba e o acordeão.

Com o passar dos anos, o forró evoluiu para vários estilos. As danças mais populares são arrasta-pé, executada por passos de marcha e o xote, também chamado de “dois pra lá e dois pra cá”.

Vanerão

De origem alemã, o Vanerão se popularizou em regiões do Paraná, além de Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. Sua tradição ainda é mantida em várias cidades dessas regiões, e seus dançarinos usam roupas  de origem europeia e do oriente médio. 

Com um ritmo rápido, exige boa dicção por parte dos cantores e bastante energia dos dançarinos.

Como vimos, a dança folclórica está presente em todas as partes do Brasil, e está intimamente ligada com a cultura de um grupo. Suas origens são diversas e cada dança folclórica tem seu próprio ritmo e formas de ser conduzida. 

A dança folclórica é rica em história, e as escolas podem se beneficiar para ensinar aos alunos e engajá-los.

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