Quem eram os famosos fotógrafos lambe-lambe do passado?

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Fotógrafos de jardim, ambulantes, instantâneos ou simplesmente fotógrafos lambe-lambe, eram populares nas décadas de 40 e 50, por tirarem fotografias instantâneas, reveladas em poucos minutos, com o auxílio de uma câmera acoplada a um mini laboratório de revelação fotográfica.

Independente do nome, esses fotógrafos foram essenciais para registrar as vias públicas pelas quais passavam — e trabalhavam — quando surgiram no início do século XX, além de oferecerem registros das famílias que iam à parques e praças, reunidas para capturarem eternamente aquele dia.

Quem eram os fotógrafos lambe-lambe?

Os fotógrafos lambe-lambe trabalhavam, principalmente, em áreas públicas e movimentadas da cidade, como parques no centro da capital paulista. A máquina utilizada parecia um caixote, com um laboratório de revelação acoplado e um saco preto, onde se posicionavam para tirar as fotos que eram reveladas instantaneamente.

Os lambe-lambes em si, surgiram no início do século XX, mas sua popularização se deu entre as décadas de 40 e 50. Na época da coleção re-exposta, na década de 70, os lambe-lambes já eram um artigo raro.

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Fonte/Reprodução: original

Esses fotógrafos possibilitavam a documentação fotográfica e a construção da auto-identificação visual dos indivíduos retratados. Esse sentimento de identificação é importante para promover a integração de grupos afetivos e familiares, o que colaborou com a memória coletiva dos mais diversos grupos sociais. 

Por prestarem serviços para a mesma comunidade por décadas a fio, foram essenciais na interação de diferentes grupos em um mesmo espaço, ao servirem como um elo entre diferentes gerações.

Através das fotografias é possível perceber as mudanças e permanências em diversas esferas sociais da vida cotidiana, mapear transformações, padrões sociais, padrões e gostos da época e até mesmo os padrões arquitetônicos da cidade em que atuavam.

Os lambe-lambes, então, tinham como principal objetivo, dentro do seu ofício registrar as mudanças e transformações que ocorreram no espaço social (a vida em um bairro específico, por exemplo); e registrar os espaços públicos. 

O trabalho deste profissional evidencia também sua interação direta com as várias camadas da sociedade que ele registra; a estreita relação afetiva entre o Lambe-Lambe e o espaço público em que realiza o seu trabalho; e, por fim, mas não menos importante, a construção de uma memória fotográfica idealizada.

Quando surge a fotografia, no século XIX, ela é capaz de congelar um instante no tempo e torná-lo uma janela para o passado que, no futuro, nos torna capazes de percebê-la com olhos mais cotidianos.

É, portanto, um instrumento para divulgar nossas ideias e valores, construir formas de expressar nossas ideologias e até mesmo reforçar uma abordagem crítica frente ao que ela representa.

Por serem agentes democratizadores da fotografia, os fotógrafos lambe-lambe são considerados um patrimônio cultural imaterial na cidade do Rio de Janeiro. Esses profissionais refletem a valorização sócio-histórica da sociedade de suas épocas.

Onde e como trabalhavam os fotógrafos lambe-lambe?

Por se tratar de um processo instantâneo de fotografia (para os moldes da época), o lambe-lambe se tornou uma fotografia muito conhecida no início do século XX. Na câmera, o fotógrafo tinha — além da própria câmera — um mini laboratório de revelação, que disponibilizava a foto aos clientes em questão de minutos.

Também eram conhecidos como fotógrafos ambulantes, fotógrafos de jardim ou simplesmente fotógrafos instantâneos. Independente do nome que levavam, foram de fundamental importância no registro iconográfico das cidades.

Quem eram os famosos fotógrafos lambe-lambe do passado (2)
Fonte/Reprodução: original

No Rio de Janeiro, foram considerados como patrimônios imateriais da cultura por seu serviço em registrar o cotidiano de suas épocas, as mudanças sofridas pela arquitetura e também pela população carioca de uma maneira geral.

Quando as câmeras fotográficas se tornam cada vez mais populares, os fotógrafos lambe-lambe perderam espaço e se tornaram limitados a fazer retratos 3×4 para documentos nos 50, mas a carreira caiu em desuso nas décadas seguintes.

O que foi a era de ouro da fotografia lambe-lambe?

A fotografia lambe-lambe passou pela sua época de ouro por volta das décadas de 1940 até 1950, quando as câmeras fotográficas passaram a ser mais populares e, por consequência, mais acessíveis ao resto da população tirar fotos sem o advento de um fotógrafo profissional.

Durante essa época, fotos em família e fotos feitas para serem postas em documentos oficiais, eram tiradas pelos famosos fotógrafos lambe-lambe, tanto pela praticidade do serviço (a foto “instantânea”, revelada em alguns minutos), quanto pela impopularidade da arte da fotografia ao público geral.

Os fotógrafos lambe-lambe eram, também, uma alternativa incontáveis para famílias populares que não podiam pagar por sessões de fotos com toda a família em exuberantes estúdios fotográficos, além do artifício mais chamativo do ofício: o laboratório em miniatura usado para revelar as fotos dos clientes em questão de minutos, enquanto fotografias mais tradicionais teriam de esperar pelo tratamento do filme para ter acesso aos registros fotográficos. 

Quando a fotografia lambe-lambe chegou ao Brasil?

A fotografia lambe-lambe chegou ao Brasil no início do século XX, em torno de 1915, após o fim da Primeira Guerra Mundial — na época, conhecida apenas como a Grande Guerra.

Apesar de ser uma profissão, agora extinta, os fotógrafos ambulantes foram de essencial importância para popularizar à fotografia as classes mais baixas e assim modificar os hábitos de lazer da população por volta da década de 1970.

Que grande importância tiveram os fotógrafos lambe-lambe a cultura da fotografia?

Pode-se dizer que os fotógrafos lambe-lambe eram cronistas visuais de suas épocas, pois registravam o cotidiano de maneira visual.

Já que foram uma das únicas formas de se obter um registro fotográfico — principalmente para as classes mais populares, que não tinham a opção de ir a um sofisticado estúdio fotográfico — os fotógrafos lambe-lambe eram responsáveis não apenas pelos retratos em família dos que iam aos pontos turísticos imortalizar a família, mas também em imortalizar esses espaços públicos, as pessoas, e porque não dizer que a época em si.

Com a decadência dos fotógrafos lambe-lambe, veio a popularização das câmeras (tanto instantâneas quanto portáteis) que acabou por modificar os hábitos de lazer da população, tornando o hábito de registrar momentos em família, com os amigos, ou até mesmo pelo puro prazer da arte fotografar sem a intervenção de um fotógrafo profissional.

Sem os Lambe-Lambes como alternativa para estúdios fotográficos sofisticados, ou até mesmo como uma única opção em conta de classes mais desfavorecidas socialmente, a fotografia não teria se tornado uma atividade tão popular e comum e, provavelmente, ainda estaria nas mãos da elite que tivesse poder monetário para monopolizar a arte e o estudo da fotografia.

Os Lambe-Lambes foram de extrema importância sociocultural, como também para a popularização da fotografia na sociedade como um todo. Atuavam como cronistas visuais, e registravam o cotidiano da época em que estavam inseridos e, portanto, contavam milhares de histórias apenas por meio do recurso visual.

Esses registros são de suma importância para podermos ver, quase que em atuação, todas as mudanças ocorridas no cotidiano desses lugares públicos e também no cotidiano dos que foram registrados por esses fotógrafos populares de meados da década de 1940.

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